sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

2010 02 07 Punta Arenas(CHI) - Torres del Paine(CHI)


Acordei cêdo mas fiquei usando a internet até perto do meio dia. No café da manhã encontrei um argentino que morou 20 anos do Brasil e está fazendo a Patagonia de bike. A região até que é plana maso frio e o vento são implacáveis e incessantes. Me disse que quando tem que dormir às margens da rodovia numa barraquinha açoitada pela chuva, questionava-se - o que estou fazendo tão longe da minha caminha? Lembrei do Comandante Hamilcar que disse o mesmo quando foi pego por uma braba tempestade ao cruzar o atlântico navegando em solitario. 
A estrada é aquela chatice: tudo plano e desolado. Não há plantações nem árvores.
Às vezes passa uma moto ou um grupo de ciclistas andando inclinado por causa do vento. O carro balança muito. Fizeram até uma homenagem erigindo um monumento ao vento
Tá bom, ele é mesmo o imperador da região.
Como me foi recomendado, parei em Puerto Natales para abastecer de frutas e outras coisas. Uma tipica cidadezinha daquela região, muito horizontal, às margens de um belo lago verde azulado.

Lá encontrei uma velha conhecida nossa
Isto, La Mano del Desierto. Esta é a terceira, quem lembra aonde estão as outras duas?
Comprei algumas coisas para comer pois em Torres del Paine é tudo bem caro, e pé na estrada. A estrada para o parque é em ripel. Tem alguns trechos que forma cavados em rocha viva


Sempre nos deparando com aqueles lagos verde azulados
Eles sempre oferecem miradores para fotos e "degustação" da paisagem
Encontrei alguns veículos super equipados para aventuras
Percebam os galões extras afixados no lugar dos vidros traseiros.
Isto é que é moto-home, né? Olha outro aí, Jairo.
Mas ,mesmo sujinha, eu prefiro a minha heroína Anastazia Bebeya. Olha só que linda!
Ela chama muita atenção por onde passa e tem muita gente que pede para ser fotografada ao lado dela. Só faltam me pedir autógrafos mas, quem sabe, ainda falta muito para terminar a viagem 
Há um lago bastante interessante no parque: El Lago Sarmiento
Ele forma um sistema fechado: entra agua dos afluentes mas não tem saída. Resultado: salinização. A faixa  branca nas margens é formada de modo semelhantes aos arrecifes de corais no mar.
Até cachoeira tem no parque
Que tal dirigir tendo esta imagem no seu retrovisor?
E esta outra pela frente?
Tem rios que serpenteiam preguiçosamente pelos vales
Fiquei olhando aquela pontezinha lá embaixo no meio do rio e pensando, daqui a pouco vou passar nela. Eis que de repente, não mais que de repente, no melhor da festa, surge esta enorme placa "protegendo" a frágil pontezinha
Acontece que Anastazia Bebeya e eu devemos pesar juntos cerca de 3 ton. Além disso a largura máxima da ponte é 2,10m. Pensava - Vou? Não vou? ... e acabei ... não "fondo", como diria um jogador de futebol. 
Armei minha barraca no camping Pehoe. Lá a chuva e o vento são tão constantes que eles tem uma “casinha” para a gente armar a barraca.
 A visão da minha “janela”, entretanto, compensava todo e qualquer frio, vento ou chuva.
Nesta noite jantei macarronada com sopa Knorr. Como sempre errei na dosagem e resultou macarrão para uns três dias.
Mas vamos lá, eu vim aqui para ver as Toores de perto. Voltei à tal pontezinha e fiquei olhando quem passava. As minivans nemparavam para as pessoas descerem.
 Passavam apertadinhas, mas passavam. Então decidi: fechei os retrovisores, trinquei os dentes (acho que fechei os olhos) e fui lá, devargazinho, ouvido atento e ... nada, passei!
Agora é só caminhar 9Km e subir 751m.
Caminhar 9Km é fácil, o problema são os abismos, as subidas íngrimes, as rajadas de vento que te derrubam, o ripel escorregadio.
Brincou, cai. Às vezes vc vai numa curvinha destas, todo tranqüilo, e surge uma tropa de cavaleiros

Sim, os ricos, os velhos, os gordos e os preguiçosos sobem boa parte do caminho no lombo de cavalos até o Acampamento Chileno
Só descem do cavalo e caminham quando começam as pontezinhas
Levei 1 litro dágua. Pensei que era mais que suficiente. Não prá nada. Tomei muita água dos abundantes riachos.
As subidas são bastante íngrimes, nos últimos metros, como se fosse um teste final, é feita saltando-se feito bode sobre grandes pedras
Mas, quando atingimos o ponto final, mesmo com os bofes de fora, tudo são flores Eu não recomendo a quem, como eu, não tem um bom preparo.


Mas que eu vou pegar, um por um, todos que me aconselharam subir aí, ah, eu vou! É uma dupla violência: física e psicológica. Tive câimbras em ambas as pernas na subida. Na volta as dores nas batatas das pernas me deixaram andando feito um zumbi. Além disso coloquei muitas coisas na mochila pensando na possibilidade de dormir num dos abrigos em caso de emergência. Resultado: na volta a mochila parecia ter uns 100Kg e começou a doer nos ombros. Desci vagarosamente feito um zumbi, todo mundo passava por mim. Passei quatro dias andando troncho feito o “gato da zinebra”.
No saída um senhor pediu carona até a administração do parque.
Seu nome é Gregory, um simpático americano nascido em Iowa e que mora no Colorado. Coisas do primeiro mundo: queria, a todo custo, pagar os 2.000 pesos que as vans cobram neste mesmo percurso. Foi uma boa companhia.
Chovia muito quando cheguei na barraca. Não sei como sobrou energia para lavar a roupa e coragem para tomar um banho. Ventava muito, mesmo com a proteção da casinha a barraca balançava muito e acordei assustado várias vezes durante a noite.

Um comentário:

  1. Meu capitão vc é demais!

    O blog está E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R.
    Fotos lindas, histórias incríveis.
    Estou muito ansiosa por sua chegada, acho que vamos passar muitas horas namorando e conversando sobre sua aventuras.
    Te amo muito.

    Volta logo!!!!

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