terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Lena - A Guerreira

Tenho que confessar: no princípio pensei que não daria certo. Lena tem um treco no pescoço que até necessitou de uma operação caríssima para instalar umas pecinhas especiais.

Ora, nossos passeios, principalmente no Atacama, incluiriam estradas horríveis cobertas de ripio, eivadas de buracos, ou seja, tudo que não é recomendável para ela. Mas ela insistia, batia pé: eu vou! Às vezes achava até um certo egoísmo pois em março ela iria de avião com Marcilio pelo sorteio da Mitsubishi. Mas tudo bem, ela foi e num é que é uma guerreira mesmo! Na subida para o Gêiser Del Tatio tive que afundar o pé para não ficar perdido no meio das vans. Ela não deu nem um piu.

 No finalzinho das tardes é que ela, se tivesse cansada, piava um pouco. No primeiro dia com ela, por exemplo, no trecho de Foz a Corrientes,  quando fecharam a estrada por quatro horas, chegamos bem tarde e ela deu um chilique: “Não sei pra que viajar tantas horas se ninguém tem que assinar ponto”. Depois disso nunca mais reclamou tão fortemente. Acho que se conscientizou que seriam necessário deslocamentos maiores em determinados trechos sem atrações específicas. Um outro chilique foi quando, descendo pela vale da morte, a areia vulcânica quis empurrar Anastazia Bebeya para um abismo. Ela gritou, pulou fora do carro e desceu a ladeira andando. Mas depois que eu expliquei a ela que não poderia mais parar na areia mesmo que ela “chiliquasse” porque o carro afundaria na areia, ela ficou nos trinque. É brincalhona, adora piadas, super disposta. As vezes ficava pitando seu cigarrinho bem quietinha na soleira do quarto.

Não tinha também muita frescura para comer.Geralmente se contentava com qualquer coisa.

Andava tão empolgada com o "Diário de um Suicida" que conseguia absolver-se totalmente  na sua leitura mesmo que estivessa à mesa. Durante a viagem ouvimos várias preleções interessantes sobre a doutrina espírita.


Super atenciosa com sua família liga todos os dias e que saber do papagaio ao piriquito. Capitú (a cadela) nem pensar, só falta falar com ela pelo telefone. Não estrilou nem mesmo quando a dona do Motel Prince, no qual fomos parar inadivertidamente, preferiu explicar as normas a ela e não a Marcilio, julgando-a mais experiente. Valeu Lena, saudades!

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